segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Miguel Vieira - 14.10.2012


O fecho a 4 dias de moda correu a cargo de Miguel Vieira que apresentou a sua colecção “Perfume”.  Uma colecção inspirada nas culturas exóticas e tropicais das Caraíbas.  Paraísos de luxo e requinte como Barbados, onde as cores são vibrantes e despertam os sentidos.  Mulheres elegantes que evocam o glamour dos anos 70 e homens com fatos com proporções ligeiramente mais curtas do habitual.  Uma colecção que tem o perfume do luxo mais sexy e sensual. 

O cabelo das manequins estava penteado com muito volume.  Um dramático efeito de leoa com bastante volume e textura.  Cabelo retirado do rosto para mostrar os impactantes brincos e colares que adornavam o corpo das modelos.  Textura e suaves ondulações que simulam o efeito da humidade do mar.  Os homens com cortes bem marcados e penteados sem excesso de styling para um luxo mais causal.

A colecção transporta-nos aos clubes de Miami, onde mulheres com dinheiro passeiam à beira do mar.  Silhuetas justas e linhas apuradas que acompanham o corpo das mulheres.  Bolsos à altura da cintura que criam um pequeno peplum para acentuar as curvas feminina. Decotes quadrados para realçar os colares dourados.  Cores vibrantes, rosas, verdes, amarelos em flúor e néon.  O clássico é reinventado para dar nova frescura às peças pela inclusão de pormenores marcantes para criar uma mistura sofisticada de texturas.  Muitas lantejoulas, seda, estampados geométricos e florais para homens e mulheres.  Especial atenção para o padrão de aves tropicais que adornava saias e vestidos.  

O verão cheira ao “Perfume” de Miguel Vieira.

Dino Alves - 14.10.2012


A colecção do Dino Alves para esta Edição da ModaLisboa chama-se “Embrulho da Alma”.  Uma colecção inspirada em espaços desabitados, fechados ou em obras em que os móveis se encontram cobertos, embrulhados ou protegidos com panos brancos ou lençóis.  Colecção que encontra o seu paralelismo na obra de Javacheff Cristo, conhecido precisamente por embrulhar objectos, edifícios e coisas para as suas obras.  O corpo é o nosso bem mais precioso e por isso devemos protegê-lo. 

Os cabelos das modelos estavam ornamentados com cristas em cartão.  O cabelo polido e apanhado num rabo de cavalo que divide em dois e cai pelos lados.  Cabelos disciplinados com efeito glacé para um brilho extra.  Os homens com o risco ao lado marcado e uma discreta franja. 

A colecção sugere corpos embrulhados, preparados para a mudança, cobertos com panos, protegidos do que o tempo lhes pode causar.  Multiplicam-se os godés para as saias e vestidos das mulheres.  Novas proporções que reinterpretam os comprimentos, camisas que fazem as vezes de vestidos.  Efeito arrepanhado e amarrado em plissados grossos que adornam decotes e mangas.  Aplicações de pele em cores claras que simulam a fita de embalar que segura a peça de roupa e evita que se desmanche.  Organza texturada, seda, popeline, e cetim são os embrulhos com os quais se constroem as peças de Dino Alves.  Para o homem, riscas verticais e color-blocking em tons escuros como borgonha, amarelo e verde.  Novas proporções para camisas que cobrem até ao joelho e saias que substituem os clássicos calções. 

“O corpo é apenas uma embalagem do mais precioso: emoções, sentimentos, mágoas, alegrias, conhecimento…” e a roupa protege-o como um embrulho.

Marques'Almeida - 14.10.2012


Marques’Almeida apresentou a sua colecção no Pátio da Galé, uma distinção da organização que os tirou do enquadramento reservado para os outros criadores LAB e deu-lhes o palco principal.  Uma colecção que respira o ar grunge de colecções passadas e cuja principal influência são o final dos anos 90 e início dos 2000.  Um look jovem, descontraído e acima de tudo, espontâneo pensado para a rapariga Marques’Almeida cujo estilo é cru e (aparentemente) effortless. 

Os cabelos das manequins estavam puxados para trás com efeito molhado. Cabelos com madeixas definidas e marcadas, cabelos colados e brilhantes.  Um cabelo apropriado com a estética neo-rave dos criadores.

A colecção começou com um look em ganga verde que fazia lembrar a colecção anterior, uma introdução para criar um nexo entre as duas propostas para fechar um discurso sólido e coerente.  Desta vez, a estética grunge destaca por uso de vestidos longos e fluídos coordenados com calçado abotinado, típico da época.  Silhuetas desdobradas que se traduzem no contraste entre a rigidez do denim e a leveza dos vestidos longos e frescos.  A paleta de cores muda e ilumina-se para incluir o azul claro, cinzento, verde, branco e lavanda.  Os tecidos continuam a ser o denim que deu fama à dupla com a introdução de malhas e de chiffons.    

Nuno Gama - 14.10.2012


O desfile do Nuno Gama era um dos mais esperados nesta Edição de ModaLisboa pelo histórico de colecções passadas, onde os manequins desfilavam com os sugestivos (e minúsculos) fatos de banho do criador.  Mais uma vez, o criador não desapontou ninguém.  A colecção “O Príncipe Real” é uma homenagem à cidade de Lisboa, à sua luz branca, aos seus segredos e ao seu fado.  Uma colecção que perante o contexto actual pretende ser prática e aposta pela comercialidade das peças em lugar da técnica, consciente de quem são os seus clientes e quais as suas necessidades.  Uma aposta verdadeiramente inteligente.

Os cabelos dos manequins estavam penteados de forma muito natural.  Um homem descontraído e natural.

Um guarda-roupa reduzido pela estação e pelas exigências de um homem prático e elegante.  Os materiais distinguem-se pelos contrastes de baço/brilhante e fibras naturais em justaposição de tecnologia.  T-shirts com estampados alusivos à cidade de Lisboa e a tudo o que é tipicamente português.  O desfile começou com fatos para o homem Gama, um homem sedutor que no Verão opta pelos fatos brancos com detalhes em preto e dourado.  Laços para adornar as camisas e acessórios requintados para o homem de elegância prática. 

No final do desfile, Gama quis deixar a sua marca contra a situação actual do País colocando sobre a passerelle todos os modelos com a boca tapada e uma t-shirt onde se lia: “EU QUERO É SER FELIZ…” Não queremos todos?   

Aleksandar Protic - 14.10.2012


A colecção de Aleksandar Protic inspira-se na banda desenhada do desenhador Enki Bilal.  Uma mulher feminina, uma personagem de heroína que luta pela paz de dois mundos.  A música da banda alemã Rammstein criou uma atmosfera escura no Pátio da Galé para uma colecção que respirou muita força.

Os cabelos desta mulher heroína estavam penteadas com o cabelo puxado para atrás, retirado do rosto.  Cabelos lisos com efeito molhado, como se tivessem sido molhados pela chuva.  Maquilhagem clara, muito natural com destaque nos olhos.

A silhueta da colecção é comprida, e justa ao corpo da modelo.  A cintura destaca-se com cintos, laços ou pequenas dobras para criar rupturas em macacões de seda.  Pele, seda e linho combinam-se para criar vestidos com um excelente trabalho de drapping que dá volume e textura às peças.  Assimetrias nas mangas e ombros descaídos para trás servem para criar as capas destas heroínas.  A pele lustrosamente preta que abriu o desfile dá força ao look.  As cores da colecção variam do preto ao branco, com algumas aberturas ao castanho, dourado e prateado. 

V!TOR - 14.10.2012


À nossa entrada na Câmara do Município aguardava-nos uma passarelle coberta de grandes montes de farinha, o que fazia adivinhar que seria uma colecção diferente.  Uma colecção que revela o imaginário da marca com uma liberdade extrema.  Uma proposta que se foca mais num lifestyle do que no próprio vestuário.  Um mundo repleto de unicórnios, arco-íris, My Litte Pony e cachorros de Pug sem qualquer tipo de justificação. A colecção de V!TOR respira juventude, diversão e acima de tudo uma falta total de pretensão.

Os cabelos das modelos foram alisados e penteados com risco ao meio.  Um styling muito ligeiro para uma fixação natural complementar à atitude de descontracção predominante no desfile. Os manequins masculinos estavam penteados com risco ao lado, com fixação muito suave para não perder o estilo mas dar sempre uma imagem de despreocupação.  O rosto das modelos estava coberto de autocolantes de My Little Pony e cristais para uma geração de público de raves.

A colecção apresentou crochet a substituir o tricot da estação passada e o jersey a ser trabalhado e explorado numa infinidade de cores, padrões e aplicações.  Camisolas oversized e micro shorts com prints de inspiração pop.  Unicórnios nas t-shirts e nos acessórios, rostos de cachorros de Pug nas roupas, cortes em forma de coração nas diferentes peças.  Crochet cor de rosa para vestidos ideais para a nova estação. 

A única falha da colecção foi o efeito que se pretendia com a farinha.  Os manequins deviam levantar nuvens de pó com o seu andar mas acabaram por espalhar a farinha pelo chão (e sapatos de mais do que uma jornalista) sem conseguir transmitir o efeito desejado. 

Say My Name - 14.12.2012


O último dia da ModaLisboa começou com a apresentação de SayMyName no hall da Câmara Municipal de Lisboa.  Uma colecção que encontra a inspiração no mundo da ciência e no universo que se esconde por trás de microscópios .  A ciência deixa de ser geek para adquirir uma nova dimensão cool que permite ver beleza onde menos esperamos.

Os cabelos para este desfile apresentaram-se com risco ao lado, com uma franja que cobria metade do rosto das manequins.  O resto do cabelo estava preso com ajuda de duas pinças brancas.  O efeito pretendido era um cabelo texturizado ao longo dos comprimentos, como se tivesse secado ao vento de forma natural.  Suaves ondulações conseguiram o efeito de cabelo cuidadosamente despenteado. 

A cor predominante da colecção foi o branco, cor das batas de científicos, com algumas concessões ao verde (royal e palma), coral e preto.  Houve também prints digitais inspirados nas bactérias.  As peças rígidas reúnem aberturas nas costas e falhas de tecido em todos os lugares, inspirados na irregularidade do que se vê quando se olha através do microscópio.  Linhas geométricas e mistura de tecidos como a rede de algodão, o neopreno e o nylon que simulava o couro.  Aplicações de franja allover que fazem lembrar as bactérias flageladas.  As lentejoulas aparecem sobre todas as peças como uma nova interpretação do luxo democrático.

domingo, 14 de outubro de 2012

Adidas Originals - 13.10.2012


O 4º desfile da marca Adidas na ModaLisboa foi um evento marcado pela originalidade e pela vanguarda num espectáculo nunca antes visto.  A passarela, pela primeira vez, abandonava o Pátio da Galé e ocupava parte da Praça do Comércio, dando oportunidade a todo o mundo de ver as criações da marca.  Ao som dos DJ’s The Misshapes a marca apresentou todas as suas colecções de roupa desportiva, denim, outwear e banho.  Mais de 100 modelos de todos os tamanhos, entre os quais havia muitas personagens conhecidas, desfilaram nesta ocasião ao ritmo da dupla internacional.  Uma iniciativa original para uma marca que presume sê-lo.

Nuno Baltazar - 13.10.2012


O desfile de Nuno Baltazar foi possivelmente o mais cotizado entre o público da ModaLisboa.  O Pátio da Galé ficou pequeno para todos os que queriam ver ao vivo a nova colecção do criador, que como esperávamos, não defraudou ninguém.  Se na passada edição o fio condutor era uma música extraída de uma obra de Pina Bausch (hoje banda sonora do anúncio de uma loja multimarca) nesta edição Nuno Baltazar escolheu o documentário L’Amour Fou como inspiração. A colecção, da mesma forma que no documentário, presta homenagem ao génio que foi Yves Saint Laurent do ponto de vista baseado no amor, no respeito e na admiração mais profunda. 

Para uma mulher inspirada no universo Saint Laurent dos anos 70 e 80, Baltazar apostou em cabelos com apanhados baixos à altura da nuca.  Pequenas poupas realizadas na parte da franja para dar volume.   Uma mulher com um visual retro de acordo com o resto da colecção.

A colecção é uma viagem ao universo mais pessoal de Yves Saint Laurent com apontamentos a grandes sucessos da casa parisiense.  As peças reflectem um contraste que existia dentro do próprio Saint Laurent, pret-à-porter com pretensões de couture,  looks de dia excessivamente requintados, cortes sóbrios para um espírito jovem.  As silhuetas variam mas são sempre femininas e acentuam o corpo da mulher.  Destacam as mangas por vezes largas ou assimétricas.  As cores reflectem o universo Saint Laurent, desde o azul vivo dos jardins majorelle ao preto dos seus últimos dias, passando pelo rosa e meloa.  Grandes laços adornam as cinturas das modelos realçando a sua feminilidade.

Catherine DeNeuve abriu e fechou o desfile com a música de Barbara “Ma plus belle histoire d’amour” que cantou no dia em que Yves Saint Laurent deixou as passarelles.

Lidija Kolovrat - 13.10.2012


A colecção de Lidija Kolovrat para a 39ª Edição de ModaLisboa recebe o título de “A priest is going to a wild party”.  Uma proposta que pretende explorar os simbolismos religiosos presentes no nosso dia-a-dia e reinterpreta-los para adapta-los à roupa e acessórios.  Roupa em cores escuros com prints em cores flúor para justificar a segunda parte do título (wild party) e acabamentos brilhantes para obter um efeito moderno e tecnológico.

Os cabelos das modelos foram penteados com um risco ao lado, criando uma franja assimétrica que cobre a metade do rosto das manequins enquanto deixa a outra metade à mostra.  Cabelos lisos e brilhantes com uma fixação suave que não limita o movimento dos mesmos.  Para os homens, risco ao lado com uma pequena franja que não chega a cobrir os olhos.  Cabelos que simulam o véu daqueles que não vêem o peso que a simbologia tem no nosso dia-a-dia.

Todos os elementos de simbolismo religioso foram explorados para criar um digital print.  Os motivos figurativos sofreram um processo de abstracção com explosão de cores brilhantes e jogos de escalas, acentuadas por azuis nocturnos, ouro natural e vermelho.  Os materiais flutuam entre elementos estruturais, construindo silhuetas largas e indefinidas de acordo com o movimento natural.  Tecidos tratados para um efeito tecnológico e uma transparência mais própria do plástico.  Linhas que se afastam do corpo para criar peças over-size.  Sobreposição de materiais criam pequenas arquitecturas dentro de cada peça. Sacos de tecidos sintéticos que explodem a partir de dentro de malas de mão tradicionais.   

A colecção esteve acessorizada por infinitas revisões do crucifixo incluindo algumas em 3 Dimensões.  Uma proposta diferente, arrojada e sem medo de ser impactante.

Cia. Marítima - 13.10.2012


A marca brasileira de bikinis apresentou a sua linha de bikinis a um público que apenas pestanejou para não perder nenhum detalhe das modelos sobre a passarelle.  Uma colecção divertida e alegre, tal como a estação para a qual está destinada.

Os cabelos das modelos estavam penteados com risco ao meio e caíam com suavidade sobre os ombros.  Cabelos extremamente lisos e polidos para dar um toque de brilho no resultado final.  Muitas modelos utilizavam a técnica de madeixas Copacabana que consiste em pontas e crescimentos mais claros.  O resultado final é um look tropical que evoca as praias de Rio de Janeiro.

Os bikinis apareceram em infinidade de cortes e padrões.  Desde o sensual leopardo até ao mais hippy tye-dye todos os padrões tiveram lugar neste desfile.  Para as mulheres mais sensuais, vestidos em gaze com saias extra compridas para acentuar o caminhar.  Viram-se fatos de banho em cores fortes e com cortes sensuais, para provocar em vez de mostrar o corpo.  Padrões de palmeiras tropicais para tshirts e mini-vestidos para passear pela areia da praia.

Cia. Marítima conseguiu que durante 15 minutos a temperatura da sala subisse até aos níveis próprios dos meses do Verão. 

Ricardo Dourado - 13.12.2012


“East meets West” é o nome da Colecção de Ricardo Dourado, uma colecção que parece narrar o encontro de duas bandas de lados opostos da cidade.  Uma proposta com ar de beligerância e conflito urbano graças à aparição de coletes anti-bala em diferentes materiais e cores e às caras pintadas dos manequins com tatuagens semelhantes às que costumam enfeitar os corpos dos membros de bandas delinquentes.  Uma colecção que se inspira novamente no universo do ghetto latino, na cultura “chola” do sul de Califórnia.

As mulheres desfilaram com cabelo comprido e solto, puxado para trás com efeito molhado no topo da cabeça e com muita textura nos comprimentos.  Os homens com o cabelo puxado para trás extremamente polido com gel de efeito molhado. Os rostos e corpos dos modelos estavam pintados com tatuagens pretas de simbologia própria de bandas e com as letras R e D, a banda do Ricardo Dourado.

A roupa da colecção é forte com silhuetas largas e volumosas.  A paleta cromática reduz-se ao branco e preto, com ligeiras concessões ao laranja, vermelho e cinza.  Vestidos compridos em algodão com mangas largas que fogem dos ombros para dar músculo aos braços das modelos.  Camisolas over-sized em algodão texturizado sobre saias que caem por baixo do joelho tanto para homens como para mulheres.  Algumas peças realizadas em crocodilo (esperamos que seja apenas uma imitação) davam um ar luxuoso a peças estrategicamente cortadas.  Casacos e vestidos inspirados em coletes anti-bala completam uma proposta sólida e bem estruturada.

A música foi mais uma vez um elemento chave na dramatização da colecção.  As modelos desfilaram com atitude desafiante ao ritmo de uma versão estendida da música “Controversy” de Natalia Kills remixada pelo DJ André Granada.   

MMC Design Studio - 13.10.2012


Se definimos o bom convidado como aquele que sabe entreter os seus anfitriões sem ser chato nem repetitivo, então MMC Design Studio foram os melhores convidados nesta Edição de ModaLisboa.  Uma dupla de designers que encontra a inspiração nos tecidos e nas texturas.  As silhuetas são largas e as linhas separam-se do corpo da mulher que revela a sua feminilidade e sensualidade nos cortes e comprimentos das diferentes peças.

Os cabelos desta colecção são volumosos e texturizados.  Cabeleiras dramáticas que fazem com que as modelos ganhem presença na passarelle.  Para obter este look foram feitos, em primeiro lugar, caracóis fechados no topo da cabeça e fixados com spray.  Uma vez fixos, os caracóis foram soltos e os cabelos ripados para dar ainda maior volume ao penteado final.  Um look dramaticamente texturizado para complementar uma colecção cujo motor é a contraposição de texturas.

Jacquards de seda e chiffons transparentes misturam-se com tecidos técnicos, malhas, nylons e viscoses para criar um jogo de volume em cada peça.  As cores de base são o branco e o preto que gradualmente complementaram-se com amarelos, violetas, rosas e cinza.  Tecidos metalizados para um aspecto futurista.  Interessantes vestidos acolchoados com cortes e aberturas nas costas.  As transparências tem um papel muito importante para acrescentar peso às diferente peças revelando partes da anatomia feminina.

Ricardo Andrez - 13.10.2012


A colecção de Ricardo Andrez inspira-se na repetição e na uniformização como dispositivos geradores ou diluidores da identidade para apresentar uma colecção onde os detalhes marcam a unicidade de cada peça dentro de um conjunto bastante homogéneo.  Uma colecção masculina que viu reforçado o seu fio condutor quando uma sucessão de modelos femininos apareceram na passerelle vestindo as mesmas roupas que os homens tinham mostrado anteriormente.  Inteligente jogo por parte do criador que mais uma vez conseguiu surpreender e agradar ao publico assistente.

Os cabelos desta colecção estão retirados do rosto, penteados para trás com acabamentos mate.  Fixação muito ligeira com um acabamento muito natural.  Os rostos pintados em prata para dar um aspecto de criaturas sem rosto, sem identidade, sem nada que os faça diferenciáveis entre si.

As peças da colecção vivem dos detalhes.  Sobreposição de padrões geométricos e diferentes texturas, apenas perceptíveis para quem vê com muita atenção. Calças e shorts mais curtos do convencionalmente estabelecido e protagonismo dos suspensórios, seja na forma de sobretudo ou de casaco.  T-shirts e camisolas de jersey de algodão azul com pespontes de fio brancos para dar textura e movimento às peças.  A gama cromática de Ricardo Andrez inclui o branco, o cinza, o azul e o amarelo, sem que estas cores cheguem a conviver umas com as outras. 

Uma colecção que questiona onde está o factor que faz de cada pessoa alguém diferente das outras.    

Valentim Quaresma - 13.12.2012


Este ano as colecções LAB foram apresentadas no hall da Camara Municipal de Lisboa, um marco idóneo para enquadrar a colecção de joalharia de Quaresma: Kaleidoscope.  O nome "caleidoscópio", derivado das palavras gregas kalos (belo, bonito) , eidos (imagem, figura) e scopeο (olhar, observar) resume perfeitamente a experiência da apresentação.  Formas e figuras bidimensionais que adquirem a tridimensionalidade através de repetições e simetrias.  O desfile correu ao compasso de música de tambores de guerra que marcavam os passos dos manequins.

Os cabelos das modelos apareceram sobre a passarelle de Paços do Concelho em forma de trança de raíz que partia da nuca e subia pela cabeça da modelo até à frente, de onde se elevava para criar um bucle no topo da cabeça.  Os homens desfilaram com cabelos puxados para atrás, polidos com efeito molhado.  O cabelo retira-se do rosto para não interromper a visibilidade dos guerreiros criados por Quaresma.

A superposição de colares formavam padrões caleidoscópicos, com formas futuristas impostas num espirito medieval.  Peças que se transformam e adaptam a diferentes partes do corpo originando diferentes leituras e diferentes maneiras de usar.  Grandes colares, cintos, máscaras e armaduras de acrílico, latão, fibra e vidrilhos em preto, branco e titânio.  Uma colecção de jóias que servem ao mesmo tempo de armaduras para proteger corpos pintados com pintura de guerra.

sábado, 13 de outubro de 2012

Luís Buchinho - 12.10.2012


A colecção de Luís Buchinho para o Verão 2013 encontra a inspiração em elementos da linguagem moderna da arquitectura.  Formas geométricas puras, assimetrias, efeitos gráficos em planos contrastantes numa estética focada nos detalhes de construção e no rigor técnico. Luís Buchinho apresenta uma colecção igual à mulher: rigorosamente feminina, tecnicamente requintada, que não deixa nenhum detalhe passar por alto. 

Os cabelos das modelos de Luís Buchinho desfilaram na passarela da ModaLisboa apanhados em chignons baixos à altura da nuca.  Cabelos polidos e extra brilhantes, com um efeito glacé, que transmitem um sentido de controlo e rigor da mulher ideada pelo criador.  Os chignons, elaboradas peças de arte, constroem-se a partir de duas madeixas de cabelo que se entrelaçam criando uma espécie de flor que ornamenta a nuca das manequins. 

Linhas rectas e formas estruturadas sofisticadas e femininas trabalhadas em cortes anatómicos. Algodão stretch, viscose, tafetá, chiffon e cetim de seda de diferentes texturas e densidades sobrepõem-se nas peças em elaboradas e inteligentes construções.  O brilho de materiais metálicos como o cobre e o aço e tons terra e madeira produzem uma paleta de cores quente, luminosa e saturada, marcada pelo magenta, rosa, coral, laranja e vermelho.  A cor serve a forma, tanto nos estampados como quando usada em bloco em contrastes de saturação.  Micro plissados criam volume nas peças assimétricas simulando o trabalho dos mestres do origami. 

Uma colecção forte, elegante, cosmopolita e feminina que fechou o segundo dia de ModaLisboa de forma mais do que satisfatória.

Os Burgueses - 12.10.2012


A colecção de Os Burgueses para a 39 Edição de ModaLisboa baseia-se na máxima “D. Sebastião é cultura Pop!”.  Uma proposta pensada num mundo em que a humanidade, enquanto espera pelo seu salvador (D. Sebastião) demonstra-se auto-suficiente e acaba por se resgatar a si mesma. O futuro, segundo a dupla criativa, somos nós e juntos construímo-lo a cada momento. Guerreiros do dia-a-dia que para lutar precisam de uma armadura que os proteja dos desafios do mundo. 

Os cabelos da colecção estavam penteados com grandes volumes para dar altura aos manequins. Para as mulheres, os cabelos estavam apanhados da frente para trás, com muita disciplina e polimento nas laterais para transportar todo o dramatismo para o topo da cabeça.  Apanhados volumosos e texturizados para as guerreiras do amanhã. Os homens desfilaram com cabelos curtos com poupas volumosas.

A colecção de Os Burgueses começou com um mini-vestido em verde fluor que depois veríamos novamente em várias cores e versões. Grandes plissados davam à saia um volume que se opunha a um corpo excessivamente justo. Peças estruturadas como as armaduras para proteger as partes vitais do corpo, dando destaque ao peito com bustiers marcados.  Aplicações plissadas em seda para dar leveza e movimento a peças confecionadas em pele sintética. Duos de cores acentuavam as formas femininas e serviam para simular a musculatura do corpo humano. 

Os homens da colecção inspiram-se no universo western.  Camisas com pequenas golas e aplicações de cor no peito. Para Os Burgueses, o homem não tem medo das cores e atreve-se com tudo, até com um total-look salmão.

A anedota mais comentada do desfile foram as várias manequins que optaram por acabar o seu percurso descalças.  

Pedro Pedro - 12.10.2012


O espírito country foi o fio condutor da colecção de Pedro Pedro, que encontrou no denim e na música country o complemento perfeito para a sua colecção “Here comes the sun”.  Uma mistura de modernidade e ingenuidade, inspirada no romantismo dos anos 70 e 80.  Apontamentos de um espírito folk para uma elegância casual, alegre e descontraída. 

Os cabelos das manequins complementaram a colecção com uma oposição de lisos e texturas.  Risco ao meio e cabelo polido para dar ênfase ao rosto, com textura ao longo dos comprimentos para dar movimento. As modelos tinham sido penteadas com grossas tranças fixadas com mousse, que foram soltas antes do desfile para dar o efeito de ondulação natural.  Um look romântico completado por uma maquilhagem luminosa mas discreta.

A colecção de Pedro Pedro apresentou silhuetas soltas, longas e fluidas de linhas minimalistas, por vezes enriquecidas com colchetes metálicos e aplicações bordadas.  Folhos rígidos e simples que decoram peças de inspiração romântica. As mangas são largas, por vezes abertas até ao ombro para fugir de qualquer apontamento de rigidez ou estrutura. Tricots grossos e artesanais em denim e seda sugeriam um estilode handmade a várias peças.  As cores da colecção foram predominantemente azuis, mas houve também lugar para o salmão, o vermelho e o preto, criando sempre total-looks cromáticos. 

Pedro Pedro iapresentou uma mulher simples e prática, pronta para a chegada do Sol.

Alexandra Moura - 12.10.2012


O primeiro desfile do segundo dia de ModaLIsboa esteve a cargo de Alexandra Moura e da sua colecção “Alvo”.  Uma Colecção baseada nas silhuetas compostas por linhas rectas e simples, que se confrontam com detalhes mais volumosos e românticos.  Uma colecção com caracter marcadamente urbano, com a incorporação de skateboards dentro das malas dos manequins.  Os sons de instrumentos de vento evocavam a migração de uma sociedade nómada, que procura o seu espaço. 

Os cabelos dos manequins de Alexandra Moura, homens e mulheres, apareceram ocultos sob turbantes de algodão branco inspirados nas mulheres africanas.  A maquilhagem dos modelos, o ponto mais dramático do desfile, consistia numa máscara branca adornada com cristais.  Maquilhagem de uma nova tribo idealizada pela criadora.

A primeira saída do desfile resumia tudo o que viria a seguir: folhos, silhuetas peplum e azul, muito azul.  As mulheres de Alexandra Moura são românticas, com folhos que dão volume às saias e transparências que dão feminilidade às calças.  Uma noiva marcou uma mudança na paleta cromática e o azul deu lugar branco, cru e malva, mantendo as silhuetas e os padrões.  Os homens desfilaram com fatos bem cortados que jogavam com o comprimento dos casacos e das camisas. 

Alexandra Moura é consciente de que a mensagem só fica gravada quando é repetida, às vezes, em excesso.    

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Filipe Faísca - 11.10.2012


O desfile que encerrou o primeiro dia desta edição de ModaLisboa foi o de Filipe Faísca, provavelmente o mais esperado e frequentado do dia.  Uma colecção que começou com sons de motas e da natureza para envolver o público no conceito do criador: os limites.  Uma reinterpretação das silhuetas e tecidos mais clássicos, reinventados até extremos.  O espírito mais boho dos anos 60 e 70 revisitados desde a experiência de quem vive no novo milénio.  Faísca fechou o desfile com o carrossel mais animado do dia, e provavelmente desta Edição, liderando uma conga ao ritmo de jazz.

Os cabelos das modelos apareceram volumosos e com muita textura.  Apanhados baixos com uma cuidadíssima falta de cuidado em não apanhar todos os cabelos deixando algumas madeixas livres. Cabelos ripados para dar dramatismos ao penteado.  Uma revisão do clássico apanhado desde um enfoque muito mais moderno.  Algumas modelos utilizaram fitas e boinas para evocar o espirito mais hippie de Woodstock.

A colecção de Filipe Faísca foi um retorno aos anos 60 e 70.  Silhuetas largas, em mousselinne, georgette, duplo creppe num jogo de plissados e assimetrias que ressaltam a feminidade das modelos ao caminhar.  Os primeiros manequins inspiraram-se no espírito de Woodstock, óculos escuros e padrões geométricos em azul, cinza e coral de jersey em seda.  Depois surgiram vestidos em vermelho, amarelo e preto com aplicações plissadas e folhos que relembravam colecções vistas recentemente em outras passerelles.  Padrões de serpente em preto e azul petróleo faziam a conexão entre o desfile e os sons da natureza que se ouviam no Pátio da Galé.  Fechou o desfile uma sensual Marylin num sensual top-less que levantou mais de um aplauso do público.

Filipe Faísca apareceu no final liderando as suas manequins ao ritmo de jazz enviando todos os assistentes para casa com um grande sorriso.

White Tent - 11.10.2012


A Colecção de White Tent encontra a inspiração nos jogos Olímpicos de Londres do passado Verão, e no momento inspiracional que foi a passagem da chama olímpica aos sete jovens.  Uma aposta pelas futuras gerações que traduz-se numa colecção jovem, descontraída e enérgica.  A música do desfile esteve ao cargo de bandas britânicas, como Two Door Cinema Club, que fazem dançar as novas gerações. 

Para White Tent, os cabelos são uma prolongação do espirito de naturalidade e descontracção.  Cabelos lisos, com risco ao meio e movimento natural, fruto de um trabalho de styling muito natural e súbtil.  Algumas modelos usaram fitas coloridas, clara homenagem aos desportistas que inspiram esta colecção.

As peças foram predominantemente de algodão orgânico, reinterpretando até ao infinito o papel da T-shirt nos armários actuais.  Silhuetas largas que têm como prioridade a comodidade da mulher.  As cores nunca abandonam o mundo dos pastéis e abrangem desde o cinzento ao azul, dando um grande protagonismo ao coral.  Casacos em poliéster inteligentemente cortados para realçar os detalhes das peças.  O tye-dye de tempos antigos encontrou lugar numa colecção junto de peças mais modernas e com tecidos tecnológicos.

Uma colecção marcadamente jovem e divertida, uma injecção de optimismo nos tempos que correm.   

Ricardo Preto - 11.10.2012


Ricardo Preto foi o escolhido para abrir esta 39ª Edição de ModaLisboa.  A sua colecção “Right Now” encontra a inspiração na renascença que supõe a Primavera.  Novos picos de alegria na natureza que nesta época é especialmente jovem, brilhante e fresca.  Natureza que se reflecte nos tecidos e cores escolhidos pelo designer.  Silhuetas longas, geométricas, misteriosas de contornos acentuados e justos.

Para Ricardo Preto, o cabelo é um claro exercício de disciplina. Chignons baixos e apertados na nuca.  O cabelo enrola-se sobre si mesmo para formar elaborados apanhados que não deixam escapar nenhum detalhe.  Cabelos disciplinados, com risco ao meio e colados à cabeça para emoldurar um rosto quase sem maquilhagem

A primeira saída do desfile, um fato com riscas crus e douradas, marcava uma clara intenção em evocar o natural.  Aos poucos apareceram na passerelle os tons da natureza mais primaveral, azul, laranja, verde e preto.  Para esta colecção, Ricardo Preto criou um padrão inspirado nos minerais da terra.  Linhas acentuadas e coladas ao corpo para uma mulher feminina.  Mangas largas, abertas nos ombros para dar movimento às peças.   Viram-se casacos de manga curta, um especialmente interessante de hexágonos verdes.  Para as saias, independentemente do comprimento, o tecido evassé dava um movimento etéreo a uma mulher que caminha entre uma natureza urbana.

O primeiro desfile colocou o nível de expectativas muito elevado para esta nova Edição de ModaLisboa. 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

39ª Edição ModaLisboa por L'Oréal Professionnel

L'Oréal Professionnel Portugal oferece-lhe novamente o acesso exclusivo mais completo a tudo o que acontece durante os 4 dias do evento de moda mais importante do país: ModaLisboa.

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Prepare-se para 4 dias de moda, tendências e cabelo!


segunda-feira, 12 de março de 2012

Backstage - 11.03.2012


Os 6 desfiles do dia 11 deram o ponto final à 38 Edição da ModaLisboa com colecções arrojadas, diferentes e bem estruturadas.  Os cabelos, como sempre penteados com produtos L'Oréal Professionnel, desfilaram sobre a passarela dando o toque final a propostas visuais muito atractivas.

O dia começou com a naturalidade e ingenuidade do rapaz que sonhava ser como o Rock Hudson do Ricardo Andrez.  Totalmente oposta foi a proposta da dupla Marques' Almeida que apresentaram looks de rapariga underground com cabelos efeito molhado e madeixas definidas e coladas.  Ricardo Dourado colocou jovens de bairro sobre a passarela com cabelos lisos e uma pequena crista de textura que nascia na franja e morria nas costas.  Pedro Pedro apresentou tranças grossas para dar inocência a uma mulher urbana.  Alexandra Moura escondeu os cabelos por baixo de tocas de mergulho.  Filipe Faisca apresentou apanhados com grandes volumes e texturas.

Os cabelos foram, mais um dia, uma parte fundamental das colecções reafirmando que trata-se de um verdadeiro acessório de moda. 

domingo, 11 de março de 2012

Filipe Faisca - 11.03.2012

A proposta de Filipe Faisca foi sem dúvida a mais teatralizada de todas as colecções da 38 Edição da ModaLisboa.  Ao chegar ao nosso lugar um rolo de papel higiencio (da marca sponsor do desfile) nos aguardava com a mensagem do conceito "Eu luto, tu luto, ele luto, nós luto, vós luto, eles luto".  Uma colecção à volta do luto, da perdida de alguém e o respeito pela sua memoria.  Uma forte tormenta, de luzes e sons, caiu sobre o Pátio da Galé para despedir esta Edição da ModaLisboa.

Os cabelos da colecção apresentaram-se em apanhados com volume e textura na parte superior da cabeça.  Os laterais apanhados com disciplina próximos â cabeça de forma que toda a atenção centrava-se no toupet da modelo.  Tapando os cabelos, lenços de plástico preto, um tocado à antiga para uma mulher que acaba de perder a um ser querido.

A colecção apresenta silhuetas estruturadas e muito justas ressaltando a feminilidade das modelos.  Sensuais transparencias que deixavam pouco à imaginação assim como vestidos de renda davam um toque sexy à proposta de Faisca. As peças foram em preto com poucas excepções feitas ao camel e ao beige.  Padrões de folhas adronaram algumas peças.  Os materiais desta colecção foram mousseline, crepe, georgette eláticos, crepe em seda, viscose, cabedal e renda. 

O final do desfile foi em conjunto como quem anda a seguir o carro funebre, no luto mais sensual nunca antes visto.  

Alexandra Moura - 11.03.2012

A colecção Outono-Inverno da Alexandra Moura recebe o nome de "Agri...Doce", um conceito que pretende a fusão do urbano com o rural, em que os pormenores se fundem e entram num equilibrio perfeito.  O agrio vem das linhas mais pesadas e estruturadas, predominantemente pretas, numa vertente mais urbana e contemporânea.  O doce da colecção são as linhas e os detalhes mais românticos, tecidos florais e alguns apontamentos de rosa claro e branco que trazem ma vertente mais rural.

Os cabelos desta colecção, masculinos e femininos, desfilaram dentro de tocas de banho de borracha preta.  Minimalismo na sua máxima expressão para não distraer a atenção da roupa.

As peças mostraram um jogo de opostos subtis: calças justas em pele trançada/casacos de corte masculino, linhas estruturadas/cortes românticos, tecidos pesados/movimentos ligeiros, partes superiores largas/calças lapis justas, pernas curtas/mangas compridas.  

A silhueta encontra também na oposição à sua definição, as linhas rectas que se descolam do corpo confrontam.se com detalhes românticos como culottes com aplicaçoes florais.  Os materiais variam da lã à seda, pasasando pela napa, devoret, jersey e ganga encerada.  A cor estrela da colecção é o preto seja lustroso, mate, seco ou sedoso.

Uma colecção que na confrontação encontra a harmonia necessaria para agradar.



Pedro Pedro - 11.03.2012

A colecção de Pedro Pedro recebe um nome que explica a essência de uma colecção à volta do conceito "Urban Mix".  Uma proposta com o lema de ver, absorver, actualizar e criar.  Partindo do workwear para chegar à couture numa colecção de clara inspiração urbana nas formas, materiais e accesórios.

Os cabelos de Pedro Pedro apareceram sobre a passarela na forma de tranças grossas que se deslizavam pelas costas das manequins.  A trança nasce à altura da nuca de forma descontraida e natural para conseguir o visual de uma mulher pragmática.  Cabelos ligeiramente indisciplinados acrescentam naturalidade às modelos.

As peças apresentaram um jogo de oposições nos materias: misturas de tecidos clássicos com acabamentos tecnológicos, tweed e brocados ganham texturas aborrachadas.  As formas são curtas mas soltas, casacos de corte masculino sobre femininas minis.  As saias apresentaram-se em linhas A, os blusões blue collar worker com golas oversize.  Malhas extra grandes à procura de comforto e protecção.  

As cores do desfile foram quentes e sobrias, o preto hegemónico do inicio cedeu a azuis royal, tijolo, canela, beige e branco para fechar a colecção.  O estampado fotográfico com motivos florais apareceu em sedas crushed de saias, vestidos e casacos.  Aplicações de pelo em vestidos que conjugam-se com sensuais plissados para uma mulher actual. 

A colecção de Pedro Pedro foi simples e práctica, o que se pretende do prêt-à-porter.

Ricardo Dourado - 11.03.2012

"Rioters" é o nome da Colecção Outono-Inverno do Ricardo Dourado, um nome que marca a atitude da roupa e dos modelos. Uma colecção que se inspira no hip hop e na cultura do ghetto para colocar sobre a passarela peças com silhuetas largas e detalhes "bling" em dourado como as clássicas estrelas dos carros Mercedes que muitas vezes acabam por enfeitar casacos de jovens.  Simbologia militar nos estampados para vestir uma tribo guerreira.

Os cabelos para Ricardo Dourado foram lisos e compridos. Uma madeixa de cabelo com textura nascia na franja e acabava nas costas. Cristas de cabelo cardado para conseguir volume. Os homens usavam os clássicos "beanies" para tapar a cabeça.

A roupa de Ricardo Dourada é jovem, divertida mas sobre tudo é inteligente. Camisolas com volume, super posições de peças e coletes com cortes vestem jovens "de bairro".  Os fechos, brilhantemente dourados, acabam em estrelas de carros num simbolismo evidente ao amor pelas marcas no ghetto.  Roupa escura em que o preto marcou o ritmo e abriu-se apenas para o azul eléctrico.  Propostas de tecido tratado para conseguir tons metalizados brilhantes que davam o toque "ghetto-fabulous" para as noites.  Coletes de dimensões extra grandes para fazer casacos compridos.  Bombers com aplicações de pele e calções por cima de leggings largos para um aspecto de guerreiro. 

A música, em colaboração com André Granada, foi um factor chave para o sucesso da colecção. Azelia Banks e  Zebra Katz, as musicas que animaram as colecções parisienses criaram a atmosfera perfeita. O desfile fechou com "We found love" de Rihanna e ainda bem que nos também o encontramos na colecção de Dourado.

Marques' Almeida - 11.03.2012

A dupla jovem de designers apresentou uma colecção à volta de três únicas cores: preto, verde e cinzento. Uma proposta â procura de um código de vestuário cru, juvenil, cool e espontâneo.  Uma rapariga que habita um contexto suburbano poluído. 

Os cabelos das modelos caiam sobre as costas com efeito molhado e uma ligeira textura como se tivessem acabado de sair do banho.  Cabelos com madeixas definidas e marcadas, cabelos colados e brilhantes. Um look apropriado para quem frequenta as raves electrónicas que os designers levaram até à biblioteca da Câmara Municipal.

A roupa, exclusivamente feminina, apresentou repetições e reinterpretações de peças semelhantes. Calções de comprimento e largura masculina, capas com capuz que deixavam um ombro à mostra e tops assimétricos com silhueta A que revelavam as costas das modelos num ginho à feminilidade oculta trás visuais agressivos. O preto domina as peças com bainhas desfiadas em amarelo ácido. Lã, linho e denim para roupas estatregicamente rasgadas e desestruturadas. Destacam malhas de mohair feltradas e surde com efeito desgastado.

Uma colecção que faria o gosto de mulheres como Lisbeth Sallander, protagonista de um recente blockbuster.