segunda-feira, 14 de outubro de 2013

LIDIJA KOLOVRAT - 11.10.2013

Após o cancelamento do desfile do V!TOR, Lidija Kolovrat foi a responsável de fechar o primeiro dia desta Edição da ModaLisboa.  A sua colecção “THANK YOU” inspira-se nos Lusíadas, para render homenagem ao coragem e à vitoria dos homens que navegaram em direcção ao Desconhecido.  Uma colecção que parece o relato dos marinheiros ao seu regresso onde há espaço para geishas em kimonos estruturados  e tribos africanas vestidas com estampados em cores vivas.

Os cabelos desta colecção apareceram lisos, com risco ao meio e um styling de acabamento natural.  Uma mulher aborígene, simples mas igualmente sofisticada.  O protagonismo foi dado ao olhar, com umas modernas mascaras que emulavam as ornamentar tribais em ouro e prata.  Algumas modelos desfilaram com o cabelo envolto numa tabua de madeira, para construir um apanhado elegantemente simples e original.  Os modelos masculinos desfilaram com penteados sóbrios, riscos ao meio e um styling ligeiro para dar um acabamento natural.

Nesta colecção as estampagens desempenham o papel de um conto de fadas e a sensação de algo pequeno que se converte em vastidão, homens e animais que parecem flutuar num universo de constelações. As silhuetas variam entre a simplicidade e inesperados drapeados, cortes diagonais e aberturas que aportam volumem às peças.  Drapeados, formas fluídas e naturalistas, assimetrias geometrizadas e clássicos desconstruídos numa paleta cromática que varia do preto até ao marfim, passando pelo vermelho, mostarda, violeta, verde garrafa e azul cerúleo.   Uma colecção que passa do quotidiano ao excêntrico e do descontraído ao elegante com uma facilidade igual à do ser humano. Uma colecção com um estado de animo próprio e que reflecte a personalidade dos clientes da marca.     

RICARDO ANDREZ - 11.10.2013

A colecção de Ricardo Andrez nesta Edição da ModaLisboa inspira-se nos marinheiros do século 21. Riscas azuis e brancas aparecem reinventadas na vertical para uma nova interpretação do look marinheiro em peças em ganga e algodão. O gorro marinheiro reinterpreta-se em cabedal para um homem urbano e actual, que aposta num vestuário confortável e desportivo.  Camisolas de malha e de rede dão um toque futurista ao homem de Ricardo Andrez.

Os cabelos, em cortes clássicos quase militares apareceram disciplinados e polidos. Um styling a base de gel de efeito molhado para conseguir um look elegante e actual.  Riscos ao lado com franjas em pequenas poupas que dão um toque vintage a uma colecção com o olho no futuro.

A colecção apresentou linhas simples e largas numa clara aposta pela comodidade como máxima do homem  imaginado por Ricardo Andrez.  As calças são largas e fluidas assim como as t-shirts e camisa em tecidos inovadores.  A rede é a grande protagonista em camisas, camisolas e t-shirts como elemento rompedor da monocromia.  As cores predominantes foram o azul e o branco com algumas aberturas ao cinzento e ao verde menta. Interessante a utilização de lenços atados aos joelhos para prolongar o comprimento dos calções.  Uma colecção carregada de actualidade.

SANGUE NOVO - 11.10.13

A abertura desta Edição da ModaLisboa esteve a cargo da nova geração de designers portugueses, num desfile colectivo (e demorado) em que 9 jovens promessas tiveram a oportunidade de mostrar as suas primeiras criações.  Um desfile ecléctico onde o único elemento em comum era a vontade e optimismo dos criadores. 

Os cabelos das modelos foram penteados pela Helena Vaz Pereira, Embaixador L’Oréal Professionnel, e a sua equipa.  As modelos femininas com rabos de cavalo baixos, simples e sóbrios.  Cabelos lisos e disciplinados com um acabamento natural para conseguir um look jovem e naïve.  Os homens, na mesma linha, com cabelos em penteados descontraídos, simples e actuais.  O protagonismo neste desfile não era para os cabelos mas sim para as peças de quem mostrava hoje, pela primeira vez, a sua colecção.

As colecção variaram desde as mais futuristas com casacos em tecidos tecnológicos, sobretudos transparentes e peças em malha cortada com laser para conseguir padrões geométricos até às mais sofisticadas  e românticas onde os plissados de cetim de algodão davam maturidade a colecções ainda imaturas.  Especialmente impactante foi a posta em cena da Olga Noronha que mostrou a sua colecção de “Jóias medicamente prescritas” sobre modelos vestidos com túnicas brancas que eliminavam o modelo para apresentar peças de ortopedia artesanal.

Novos talentos que poderão chegar a ser os grandes criadores do amanhã.

NUNO BALTAZAR - 13.10.2013

O fecho da 41ª Edição da ModaLisboa correu a cargo do Nuno Baltazar e da sua colecção “Stabat Mater”.  Uma colecção que assinala os 15 anos de Baltazar na ModaLisboa e a sua interpretação de um dos ícones da musica sacra, o Stabat Mater.  Uma peça reinventada por grandes maestros e que versa sobre a presença da mãe de Cristo no momento do seu nascimento e da sua morte.  Uma colecção carregada de simbolismo que vive de 2 momentos antagónicos para conseguir uma dicotomia de formas, cores e estilos. Uma mulher elegante e clássica, mas juvenil ao mesmo tempo que sabe jogar com volumes e tecidos para escolher um vestuário sempre à altura das ocasiões.

Os cabelos das modelos foram penteados em coques baixos, soltos e sem polir.  Algumas madeixas ficam soltas e ganham textura para dar um rejuvenescer ao look final.  Uma discreta franja completa o look, que por vezes é adornado por bandoletes douradas com estrelas.  Um penteado Audrey Hepburn para uma Virgem Maria sofisticada, elegante e sempre apropriadamente vestida para a ocasião. 

A mulher imaginada por Nuno Baltazar é uma mulher que emana elegância.  Uma proposta de easy wear com linhas depuradas e naturais em contraste com a silhueta mais exuberante com cores e volumes que exaltam a feminilidade nos looks mais couture.  A silhueta reflecte as diferentes representações da figura da mãe de Cristo na arte sacra, e apresenta linhas H para looks mais austeros e linhas em X que realçam a anatomia feminina.  Destacam também as saias soleil cujo volume inferior estiliza a linha da cintura que neste caso apresenta-se nua graças aos crop tops.  Jaquard com fios lurex e estampados foil em minivestidos sobre calças de linhas rectas e tecidos fluidos.  Peplums e pailhetes fazem desta colecção ainda mais feminina.  Os bolsos cobram protagonismo e são incluídos em todas as peças reforçando a importância da cintura nesta colecção. 

ALEKSANDAR PROTIC - 13.10.2013

A colecção de Aleksandar Protic inspira-se no mito de Ícaro, o jovem que queria voar, para apresentar peças de linhas fluidas, quase líquidas, com muita leveza.  Uma colecção de vestidos e macacões onde o tecido cai sobre o corpo das modelos e um inteligente jogo de pregas, costuras e franzidos criam volumes e texturas.  Uma mulher livre que rejeita peças estruturadas que possam de qualquer forma aprisiona-la.

Uma obsessão pela liberdade que se transfere ao cabelo que apareceu na passerelle com um acabado muito natural sem apenas styling.  A equipa do Anthony Millard criou como complemento da colecção uns penteados muito naturais, cabelos lisos e escovados para ter o movimento que lhe é característico.

A silhueta da colecção é fluida e casual.  Macacões, vestidos e kaftans sobre calças em seda, crepe da China e linho.  As cores são cinzentas, desde o mais claro até ao mais escuro, e pretas.  Aplicações de pele para umas peças destinadas aos dias mais frescos da estação estival.  Drapeados no decote e assimetrias nos ombros dão feminilidade às peças junto com um jogo de transparências que revelam o corpo que há por baixo das linhas largas e soltas.

RICARDO PRETO - 13.10.2013

Ricardo Preto apresentou a sua colecção “Sal” no último dia da 41 Edição da ModaLisboa.  Uma colecção carregada de linhas fluidas e silhuetas amplas onde os tecidos leves como a sede e o micro modal sugerem uma leveza em contraposição ao neopreno e o algodão mais rígidos e estruturados.  Uma proposta onde antes de tudo prima o conforto da mulher que procura um vestuário prático e pragmático. 

Os cabelos penteados com um risco ao meio caem sobre os ombros e escondem-se por dentro das golas das camisas e vestidos.  O cabelo está em ondas largas que dão um subtil movimento e sugerem uma sensualidade marcadamente feminina oculta por baixo de roupas largas e volumes geométricos.

As peças desta colecção ganham vida própria graças aos originais padrões inspirados na natureza.  Algodões e sedas com originais (embora já vistos) prints de mármore em shorts, calças e kastans.  Triângulos coloridos de inspiração azteca entre os quais aparecem inesperadamente rostos e mãos da pintura clássica que fazem a ponte para naturezas mortas de cores improváveis.  Com estas imagens os tecidos formam estruturas fluidas e volumetrias inspiradas no quadrado e na pirâmide esotérica.  As cores deste sonho de Verão são preto, branco, cru, verde e azul.  Destaca-se a utilização de pailhetes para um look mais sofisticado e os fechos em casacos e blazers para aportar versatilidade às peças.

MARQUES' ALMEIDA - 13.10.2013

Marques' Almeida apresentou uma colecção onde a ganga é a grande protagonista. Uma colecção com reminiscências dos anos 90 quando o grunge dominou o mundo.

Os cabelos apanhados em rabos de cavalo estavam despenteados para dar a imagem de mulher despreocupada. Cabelos ripados para dar textura em madeixas definidas com ligeiro efeito molhado.

A roupa da colecção foi predominantemente ganga.  Calças largas e compridas com bainhas desfiadas.  Os tops de seda fluidos e com muito movimento em cores vivas.  Inspiração oriental nas golas que fecham como kimonos.  Uma coleção que nao aporta nada de novo a uma marca que precisa de respirar ar novo.

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PEDRO PEDRO - 13.10.2013

Pedro Pedro apresentou uma colecção dedicada a uma mulher privada de sentido único e cheia de contradições.  A colecção apropria-se de um visual masculino quase militar mas decorado para adquirir feminilidade através dos detalhes.  Uma mulher complexa, forte e com espírito aventureiro.

Os cabelos neste desfile estiveram soltos, quase sem styling para conseguir um look natural e andrógino.  Pequenos e delicados apanhados para retirar o cabelo do rosto.

Uma colecção com ar militar mas feminina ao mesmo tempo. Eclecticismo que se reflecte nas formas baggy soltas e longas em contraposição a silhuetas justas e estruturadas. O rigor do corte é embelecido com pregas, bordados e plissados.  As cores são predominantemente o branco, rosa e verde kaki. Os tecidos são ricos e diversificados para construir uma proposta que vive de contradições.

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LUÍS CARVALHO - 13.10.2013

Luís Carvalho estreou-se hoje como designer da ModaLisboa e não poderia ter sido com melhor pé. Uma colecção que mostra uma maturidade inesperada e um cuidado pelo detalhe como revelaram aplicações de tecidos metálicos que se deixavam ver por baixo de folhos e aberturas. Cortes clássicos que lembram colecções de Balenciaga pre-Wang.

Os cabelos das manequins foram penteados pela equipa de Helena Vaz Pereira, Embaixadora L'Oréal Professionnel.  Uma proposta de styling onde o grande protagonista foi o volume com ripados com ares rock and roll.  O cabelo é apanhado no lado da cabeça deixando uma orelha ao descoberto num look punk e futurista que contrasta com o clássico das formas.

A sobreposição de peças simples criam novas formas e silhuetas.  Uma mistura de estilos clássico e descontraído que dão origem a uma mistura que cheira a novo e intemporal ao mesmo tempo. O efeito manchado dos padrões e as sombras criadas pelas diferentes peças de roupa são a peça central desta colecção chamada "Shelter". Silhuetas XL cropadas para criar um jogo de simetrias e assimetrias.  As cores foram o cinzento Dior e o branco com algumas peças metalizadas.  Um fôlego de ar fresco que a ModaLisboa estava a precisar há muito tempo.

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SAYMYNAME - 13.10.2013

SAYMYNAME abriu o último dia da 41. Edição da ModaLisboa com a colecção "Baye Fall". Uma transição em estilo da marca que abandona a sua juventude para um estilo mais maduro e sóbrio. A inspiração está no grupo islâmico que dá o nome à colecção e nas vestimentas dos seus fiéis que inspiram cortes geométricos e blocos de cor minimalistas.

Os cabelos penteados para trás em caracóis de pequeno diâmetro e muito marcados.  Gel e spray de fixação para conseguir o efeito de cabelo molhado e polido.

Macacões de todos os tamanhos envoltos em faixas pretas delineadoras das formas.  Saias, vestidos e calções curtos envoltos na cintura que fazem lembrar panos envoltos no corpo. Blusas oversize com fechos metálicos e ombros pregados que evocam kaftans de grandes dimensões. As cores foram branco e preto com alguns combinados numa imitação de papel metalizado para dar frescura e maturidade à proposta.

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domingo, 13 de outubro de 2013

NUNO GAMA - 12.10.2013

Nuno Gama fechou o segundo dia da 41ª Edição da ModaLisboa da forma em que nos tem acostumado, uma colecção 100% masculina onde o corpo foi o grande protagonista.  A colecção “Mosaik” mostra a forma em que encaixam as múltiplas referências da nova realidade urbana internacional criando uma espécie de patchwork onde o azul é a cor principal.  Uma colecção que também rende homenagem à cerâmica portuguesa em forma de papillons, flores de lapela e fabulosas cabeleiras criadas para este desfile. 

Os cabelos do desfile estiveram cobertos por originais cabeleiras de porcelana.  Os penteados, pintados em azul, simulavam o clássico risco ao lado com uma pequena poupa na franja.  

A colecção mostrou um homem prático e contemporâneo.  Os casacos reinventam-se nas proporções e no corte, e revitalizam-se com a introdução do patchwork em bolsos, punhos e lapelas.  O casado de doble abotoadura é o exponente máximo da elegância do homem de Nuno Gama.  Sobreposição de peças e padrões, coordenando sempre com contraposição e nunca por repetição para conseguir looks descontraídos em linha com o espirito da estação.  As golas das t-shirts prolongam-se e não há receio de mostrar mais pele.  O homem de Nuno Gama é consciente da virilidade do seu corpo e não tem receio de o mostrar em fatos de banho slip em tecidos brilhantes como os que fecharam o desfile.

MIGUEL VIEIRA - 12.10.2013

A colecção de Miguel Vieira arrancou com um vídeo em que diferentes personalidades do mundo da moda nacional davam ao criador os parabéns pelo 25 aniversário que a marca está a comemorar.  A colecção “Origens” é de certa forma uma comemoração por si própria recuperando do passado a estética característica da mulher Miguel Vieira, uma reinvenção dos clássicos sem alterar a sua essência.  Uma estética descontraída, uma marca que é mais do que roupa um estilo de vida, com detalhes e aplicações de cristais que dão severidade às peças.  Miguel Vieira apresentou nesta Edição a sua linha Junior, com 6 pequenos manequins que fizeram as delícias do público.

Os cabelos, em linha com a colecção, desfilaram na passerelle puxados para trás para deixar ao descoberto os magníficos maxi-brincos de cristais.  Cabelos ligeiramente ripados para conseguir volumes no topo da cabeça e ondas largas para dar textura e movimento ao cabelo.  Gel e laca húmida para conseguir um efeito molhado.  Os homens, elegantes e sofisticados, com cabelos polidos, brilhantes e disciplinados com gel.

A colecção é simples sem pretensões nem dramatismos.  Jogos de volumes com silhuetas esguias e geométricas junto a silhuetas mais clássicas.  Decotes de infarto em linhas puras e estilizadas para uma mulher que se sabe sexy e glamourosa.  O homem, em fatos de corte justo, camisolas de malha e casacos de seda é um bom-vivant, elegante mas de gostos refinados.  A suavidade da paleta em tons pastel contrasta com a austeridade do preto.  Branco e azul marinho servem para criar formas estruturadas que aportam uma simplicidade moderna às peças.  Verde menta e rosa peach são as cores estrela para o Verão de Miguel Vieira que se veste em jaquard, algodão e seda.

ALEXANDRA MOURA - 12.10.2013

A colecção de Alexandra Moura esteve literalmente por baixo de água.  “Primeiro a água…depois a luz” é o titulo de uma colecção coerente cujo ponto de partida encontra-se no conceito do vácuo explorado na passada edição da ModaLisboa.  Para Alexandra Moura a água é a origem de tudo, a fonte de vida, o primeiro elemento após o vazio, e a luz é o sentido para o qual todos caminhamos.  Uma proposta inteligente, bem delineada e perfeitamente executada.

Os cabelos das modelos, penteados por Cristina Peixoto, estavam penteados com efeito molhado para simular o efeito da chuva.  Cabelos brilhantes com risco ao lado e tímidas franjas que caem em madeixas bem definidas e onduladas.  Para os homens o cabelo cai sobre o rosto, igualmente molhado.  Como acessório chapéus de palha cortados transversalmente para proteger da luz para a qual caminhas as modelos.

A silhueta constrói-se de linhas rectas, simples e tubulares essenciais para esta colecção.  Pequenas explosões de pequenos volumes e sobreposições aportam textura às peças.  Destaca a utilização de tecidos em formas inovadoras para dar uma nova linguagem à silhueta.  Uma colecção simples e organizada com materiais como algodão, napa, lã fria e linho.  As cores são claras e partem do branco mate e vão até ao amarelo que simboliza a luz.  Formas largas que se afastam do corpo e que ganham dimensão com folhos e sobreposição de peças. 

CIA. MARÍTIMA - 12.10.2013

Como é habitual nas edições Primavera/Verão da ModaLisboa, a marca brasileira Cia. Marítima apresentou a sua colecção de roupa de banho.  Inspirada no conceito de Gypsetter, uma junção dos termos Gipsy e Jetsetter, a nova colecção reúne elegância e exuberância.  Uma nova elegância subtil, com uma atitude descontraída, livre e calma própria do espirito cigano.  A marca adopta certas influências do mundo animal em padrões e grafismos étnicos em cores vibrantes que aportam vivacidade e uma explosão de texturas às peças.

Os cabelos deste desfile foram penteados pela Lúcia Piloto.  Cabelos extremamente lisos com um styling de efeito natural para uma mulher que se sabe sedutora.  Penteado com um risco ao lado, o cabelo é puxado por trás da orelha para mostrar uns acessórios lacados com cores fortes. 

Na colecção viram-se dois temas principais: Bichos e Étnico, complementados por padrões com riscas e flores.  Animal prints com lavagem desgastada, imagens de tigres, pavões e cobras.  Padrões étnicos que misturam cores para causar um efeito visual, aliando o rústico aos temas mais actuais.  Destacam as riscas como grande tendência deste Verão em três versões diferentes: clássicas, fininhas com distâncias irregulares e riscas  texturizadas com cores intercaladas.  Para complementar a colecção, leggings estampados, vestidos justos, kaftans longos e vaporosos e peças em guipure compõem a linha de beachwear da marca.     

DINO ALVES - 12.10-2013

Dino Alves apresentou a Colecção 2D, uma colecção que parte de como a evolução tecnológica e o excesso de informação acabaram por fazer das nossas vidas algo tão complexo em que a tridimensionalidade adquiriu um carácter banal.  Essa trivialidade com a qual olhamos para a tridimensionalidade como algo garantido devolve-nos as duas dimensões como única forma de recuperar a valorização dos avanços.  Nesta colecção as peças surgem a partir de um plano e parecem embutidas em duas dimensões, sendo desenvolvidas a partir desse mesmo principio.

Os cabelos das modelos, lisos e carentes de textura mantêm a ideia da bidimensionalidade como fio condutor da colecção.  Acessórios de pele fazem as vezes de tocados e fixam-se à cabeça trançando-se com o cabelo da modelo.  Nos homens cabelo extremamente polido, com efeito molhado e brilhante.

Peças simplificadas e depuradas ao limite, muitas das vezes parecem apenas quadrados e rectângulos enriquecidos com elementos gráficos, que se transformam em peças de roupa ao cobrirem o corpo.  Partindo de um único plano as peças constroem-se através de planos sobrepostos e assimetrias.  Padrões de quadros xadrez que reforçam a bidimensionalidade da proposta.  Destaque para o efeito “planificado” visto em muitas peças que parecem terem sido desprovistas da sua estrutura original.  Uma mudança de filosofia em que passa-se do “over-dress” ao “over less”.

RICARDO DOURADO - 12.10.2013

A colecção “Drop the city” de Ricardo Dourado apresentou uma proposta jovem e moderna em que o sportswear se reinventa em tecidos luxuosos para formar um vestuário completo.  Uma contraposição de padrões e tecidos do mundo natural como nuvens e ondas em peças de corte urbano. 

Sobre a passerelle viu-se em exclusivo o novo lançamento de L’Oréal Professionnel: Hairchalk, o 1º verniz para cabelos.  As mulheres desfilaram com o cabelo puxado para trás em tranças que nascem no topo da cabeça.  O resto do cabelo, em ondas suaves e subtis para conseguir um resultado com muita textura para dar ainda mais descontracção à proposta.  Um look inspirado na cultura chola californiana.  Os homens com o cabelo puxado para trás extremamente polido com gel de efeito molhado.

A colecção apresenta silhuetas voluminosas onde o over size é a máxima a respeitar.  Linhas largas e afastadas do corpo para dar maior envergadura ao corpo dos modelos.  Destacam-se os shorts em pele e lurex para homens e mulheres, e o macacão em diferentes materiais por vezes disfarçados pelo jogo de padrões.  Estampados inspirados nas nuvens e nas ondas do mar em camisolas, t-shirts e vestidos são a clara aposta para a vertente mais comercial desta colecção.  As cores são predominantemente claras, branco, cinza, azul e rosa com ligeiras concessões ao preto em algumas peças de uma colecção estruturada e coerente com a visão do jovem criador.

OS BURGUESES - 12.10.2013

A colecção “002 License to go bananas” supõe um novo começo para os Burgueses apos o blackout da passada Edição.  Um novo rumo, mais divertido e descontraído para uma colecção jovem onde a dupla convidou a jovem designer Sara França a juntar-se a eles.  Uma proposta urbana que encontra as suas referências na cultura hip-hop e r&b dos anos 90 e uma contraposição de volumes e comprimentos mais própria da década dos 60. 

O styling desta colecção consistiu em cabelos ondulados, formando caracóis definidos e fechados.  Turbantes próprios da cultura africana em tecidos com estampados frutais adornavam as cabeças de todas as modelos reforçando a inspiração ghetto-60s  com fortes influências negras.  Os homens com cabelos polidos e brilhantes em poupas altas no estilo dos anos 60.

A colecção apresentou pela primeira vez tecidos estampados originais da marca onde a banana e as frutas são o elemento principal de padrões que fazem lembrar os papéis parede da década dos sessenta.  Coloridos mas simples e repetitivos.  As cores são predominantemente branco e amarelo com alguma abertura para o azul cerúleo e o dourado.  A silhueta é urbana e descontraída, evoca a cultura afro-americana com elementos desportivos como os casacões de baseball revistos em vestidos ou em versões mini.  O algodão é a matéria prima principal, em sarja, ganga e jersey.  Há peças em pele dourada para um look mais glamoroso.

VALENTIM QUARESMA - 12.10.2013

O segundo desfile do dia foi de Valentim Quaresma, o jovem criador que cada temporada surpreende com a sua aposta. Nesta colecção, Quaresma trabalha com o conceito de caos e a mistura de antónimos. O que acontece quando o barroco e o minimalismo se fundem numa única expressão, ou o tribal e o gótico se aliam para dar vida a um conceito? Este é o ponto de partida de Valentim Quaresma e o resultado: uma colecção com uma estética ecléctica mas muito forte.

Os cabelos dos modelos, guerreiros do século 21, apareceram em apanhados elaborados que fazem a proposta ainda mais futurista. Apanhados construídos à base de formas geométricas que se assentam no topo da cabeça como verdadeiras esculturas.  Jogos de volumes e texturas para um look forte e agressivo.  Os cabelos dos homens, polidos e retirados do rosto.

A colecção consiste em padrões geométricos feitos com metais prateados, ultra polidos, originando peças tribais com um caracter futurista.  Complexas armaduras construídas com alpaca, alumínio e latão cromado.  Cota de malha reinventada para torná-la mais leve e feminina, aplicada a vestidos e thsirts.  Colares maxis que se transformam em peças do vestuário.  

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LUÍS BUCHINHO - 12.10.2013

O primeiro desfile do dia esteve a cargo do Luís Buchinho que apresentou a sua colecção “A página em branco”.  Uma colecção que tem como pano de fundo os sketchbooks de colecções como fonte de novas formas, detalhes e ideias.  A busca da silhueta perfeita atrás de um sem número de esboços que se reflectem nos padrões das peças.  As linhas são rectas e austeras com drapeados, folhos e plissados que aportam fluidez e movimento.   

Os cabelos para esta colecção apresentam-se penteados para trás, deixando o rosto desmaquilhado ao descoberto.  Pequenos volumes no topo da cabeça para depois cair em ondas largas e subtis.  O styling apoia-se na utilização de gel e laca húmida para criar um efeito molhado. 

A inspiração na página reflectiu-se nas formas envelope de algumas das peças.  Inspiração também na dobra das folhas para criar linhas rectas.  A seda aparece como elemento de fluidez numa colecção onde o algodão é a matéria predilecta.  Aberturas e assimetrias livres adornam todas as peças, fazendo da mulher imaginada pelo Buchinho uma mulher moderna e urbana.  Linhas largas, e curtos ¾ dão volume às peças e um aspecto oversize à colecção. As cores, como as folhas de papel, são claras e sólidas com algumas peças em preto, cinza grafite e azul tinta que simbolizam os esboços sobre o papel.  O padrão desta estação emula o papel riscado, uma folha preenchida de ideias que é a origem de algo novo, ao igual que a página em branco.

terça-feira, 12 de março de 2013

Nuno Gama - 10.03.2013


Com a Colecção “Icosaedro” Nuno Gama comemorava os 20 anos na profissão.  O icosaedro é uma figura geométrica composta por 20 triângulos equiláteros, símbolo do homem e da sua virilidade.  Triângulo que também reflecte o mantra do criador: mente perfeita / atitude perfeita / corpo perfeito.  A colecção mais uma vez criou sensação entre as mulheres da plateia que recebiam cada modelo entre palmas e gritos.

O cabelo dos homens estava penteado de forma muito natural, cada um fiel ao seu estilo e à filosofia de identidade própria que Nuno Gama predica. 

A colecção conjuga perfeitamente a vestibilidade das peças com o efeito surpresa e o sentido do humor.  Prints comemorativos dos 20 anos adornavam t-shirts e camisolas.  Fatos impecavelmente cortados para destacar a masculinidade dos corpos.  Aplicações de pelo em casaco de dupla abotoadura.  Tecidos tradicionalmente portugueses num exercício de reivindicação da pátria.  Fibras naturais com acabamentos tecnológicos.  O preto e o azul, cores masculinas por excelência, deixam o vermelho para surpresas como laços ou golas. 

Vários modelos caíram sobre a passerelle mas isso não impediu o público de ficar mais do que satisfeito com o último desfile desta Edição da ModaLisboa.  Nuno Gama sabe o que o público quer, e há 20 anos que o entrega em cada desfile.   

Filipe Faísca - 10.03.2013



Filipe Faísca apresentou a colecção “Burro” cujo conceito era à volta de Portugal.  Uma colecção caracterizada pela confusão com modelos que não seguiam um caminho preestabelecido o que gerou mais do que uma confusão e colisão entre elas.  As modelos caracterizadas como esquiadoras desfilaram com gorros na cabeça e óculos antifaz próprios da neve. 

O cabelo das modelos, ripado para ganhar textura assomava por baixo dos gorros.  Cores brilhantes nos cabelos, acobreados, louros e ruivos.  Madeixas grossa, bem definidas e pouco penteadas para criar um look desalinhado e despenteado.

A colecção oscila entre a estrutura minimal de cortes rectos e a estrutura liquida com volumes XL.  Grandes golas e ombros redondos para peças estruturadas.  As cores predominantemente escuras como beringela, preto, cinzento com detalhes em verde ácido.  Pêlo tingido para dar volume e tridimensionalidade às peças.  Tecidos tecnológicos com cores multidimensionais.  Casacos e vestidos em burel com aplicações de pêlo.  No final do desfile, as modelos caíram ao chão para se levantar ao passo do criador, uma teatralidade que passou incompreendida pelo público assistente.     

Miguel Vieira - 10.03.2013


Com a sua colecção Outono/Inverno, Miguel Vieira comemorou os seus 25 anos como criador.  Uma data presente não só na joalharia da colecção mas também numa colecção de roupa de festa.  Miguel Vieira apresentou uma mulher forte, bela, sedutora, confiante e sofisticada.  O homem charmoso, sedutor e elegante mas sem perder a noção da actualidade.  Uma colecção de festa para um criador que estava de parabéns.

Os cabelos das modelos estavam penteados com um risco ao lado e apanhados em rabos de cavalo que partiam da nuca e que ocultavam o elástico com o próprio cabelo.  Um penteado brilhante e disciplinado, com pequenas franjas laterais.  Os homens penteados também com risco ao lado e com gel para fixar e dar brilho ao cabelo.

Esta colecção apresentou uma silhueta que alternava entre a ampulheta para os vestidos mais sensuais e os macacões e o rectângulo para os casacos.  Casacos ligeiramente oversize e calças largas para uma mulher glamourosa.  Saias e vestidos mini que nunca passam do joelho com aplicações de pailhetes brilhantes para esse ultimo toque de estrela.  Jacquard com prints animais para simular a pele de serpente em casacos e calças.  Predomínio do branco nuvem para a mulher, com aplicações de lantejoulas.  Mangas largas em seda e grandes folhos dão movimento e sensualidade às peças.   Para o homem, fatos justos, em cores claras com prints florais e polka-dot.  O homem veste de branco e cinzento no próximo inverno sem perder um ápice de elegância.        

White Tent - 10.03.2013


A colecção de White Tent é uma continuação da sua colecção anterior.  Uma marca que acredita numa filosofia jovem, urbana e aposta pelo conforto e qualidade dos materiais antes das técnicas de design e confecção.  A mulher de White Tent não é uma mulher de grandes presunções, sabe-se simples e gosta de se vestir de acordo com isso.  Pequenos luxos como peças em crepe de seda são o máximo que ela se permite.

Os cabelos das modelos estavam apanhados em chignons no topo da cabeça.  Chignons construídos enrolando o cabelo criando círculos para ganhar em diâmetro mas sem ganhar altura, mantendo-se sempre colados à cabeça da manequim.  O cabelo com acabamento natural de acordo com a filosofia da marca.

Uma colecção que se centra no trabalho da malha como tecido principal, com estampados a foil dourados e com lurex.  Alguns exercícios de color blocking em camisolas que combinam o verde com o cinzento, mas na maioria peças monocromáticas.  Mais uma vez exploraram o conceito da camuflagem tom-sobre-tom, que consiste na criação de camuflagem sem fugir da escala de uma mesma cor.  Um registo minimal e contido, com comprimentos sempre acima do tornozelo para as calças e joelho para as saias e vestidos que marcam a cintura com elásticos e folhos. 

Dino Alves - 10.03.2013


A colecção de Dino Alves cativou o público desde o momento em que um grupo de crianças ocupou o centro da passerelle numa espécie de escolinha improvisada.  O detalhe dos livros não era por acaso.  A inspiração da colecção “Next Page” está precisamente na história que cada um de nós escreve segundo vive, e nas páginas que vamos preenchendo com opiniões, pertences e aquilo mais próprio de cada um.  Cada peça é um texto, e cada dia é a página seguinte.

Os cabelos das modelos estavam penteados para atras, retirando o cabelo do rosto.  Os cabelos caíam sobre as costas com ondas bem marcadas e disciplinadas.  Os homens com risco ao lado com o cabelo controlado e muito polido graças ao uso de gel de fixação. 

A silhueta desta colecção é justa e rígida, há pouca fluidez nas peças.  Uma colecção formal e austera no uso de cores, que opta por linhas compridas.  Em todas as peças há pequenos detalhes que nos remetem aos livros, aplicações de painéis e badanas brancas que imitam o efeito de páginas em decotes, costas ou na parte inferior dos vestidos.  Prints de letras que escrevem sobre as peças.  As cores da colecção são escuras com pequenas aberturas ao branco, areia e ao azul.  Camisas com transparências para uma sensualidade disfarçada e formas justas que realçam o corpo da mulher.  Homens com shorts em padrões geométricos para um look de estudante.    Casacos oversize de ombros redondos para dar rigidez e redondez à forma.

Vitor - 10.03.2013


O criador apresenta mais uma vez uma colecção que nos permite entrar no seu universo e imaginário.  V!tor coloca sobre a passarelle a sua religião, uma que só traz boas energias e cujas deidades adoptam formas inesperadas como gatos, cães pugs e unicórnios. Uma colecção que se centra no mundo dos moluscos com a passerelle presidida por dois camarões gigantes e prints e jóias inspirados nas conchas marinhas.  Um desfile que abriu com uma mulher gato sobre patins não podia ser um desfile convencional.

Os cabelos das modelos apareceram tapados por turbantes africanos e por bonés no caso dos homens.  Uma opção que reforça ainda mais o carácter urbano e descontraído da colecção.

A colecção apresentou as linhas habituais de V!tor.  Polos-vestido para os homens com prints de camarões e imagens dos peculiares deuses do criador.  T-shirts oversize por cima de leggings ou por baixo de camisolas de jersey preto.  Saias e calças com maxi-pregas que formam estruturas geométricas em cores fortes.  Trabalho de ponto grosso para casacos de lã com aplicações de pêlo. Riscas brancas e pretas em diferentes materiais para criar calças e casacos bomber.  Uma colecção que se sabe diferente e não tem medo de o mostrar.

Marques' Almeida - 10.03.2013


A dupla Marques’ Almeida explora pela primeira vez o eveningwear, e oferecem pela primeira vez a sua interpretação de um vestuário formal, sem perder a sua essência urbana.  Uma colecção que respira urbanismo, descontracção e esse espírito efortless que caracteriza a marca.  Um estilo que já conquistou Rihanna e Rita Ora entre outras celebridades, e que agora pretende ganhar dimensão com novos territórios que se materializam em novos tecidos como a seda selvagem ou a pele de carneiro.

Os cabelos das manequins estavam apanhados num rabo de cavalo alto, com cabelo liso mas com um acabamento natural.  As duas secções laterais, em duas grandes madeixas, caíam pelos laterais da cabeça com alguma textura graças aos cabelos ligeiramente ripados.  

As roupas, uma sucessão de looks em ganga, destacaram-se pela temática das banhas esfiapadas, desta vez com uma técnica mais depurada criando um efeito mais clean, depurado e sensual.  Um glamour cru com parkas de seda selvagem e casacos biker em materiais como pele de carneiro ou pony hair.  Os vestidos de noite são compostos por calças oversize em materiais mais luxuosos.  Estolas de pêlo para dar um toque de glamour ao visual.  A paleta cromática em vermelho, branco e azul destila espírito Americano, um esboço de luz na estética tradicionalmente grunge da dupla.

Ricardo Preto - 09.03.2013


Sobre a passerelle terra e um ramo de árvore, de repente o nevoeiro invade a sala antes de aparecer a primeira manequim de Ricardo Preto.  Uma colecção que respira a saudade do modernismo como corrente de arte e pensamento e não a modernidade mal-interpretada pela sociedade actual.  Tributo à geometria de Kandisky e dos primeiros cubistas em aplicações de lurex brilhante.  Uma homenagem a Eileen Gray, primeira mulher verdadeiramente moderna.

Os cabelos puxados para trás e presos apenas nas pontas para formar rabos de cavalo largos.  Cabelos com muita textura que formam ondulações suaves e com efeito molhado conseguido com a utilização de mousse de fixação.  Grandes volumes na parte posterior da cabeça com efeito molhado, como se acabasse de sair do banho.

A colecção destaca pela monocromia em tons mostarda, preto, conhaque e azul, as cores do modernismo de Mondrian.  Capas que ocultam o corpo da mulher deixando à mostra apenas meias douradas.  Vestidos que buscam a inspiração nos fatos masculinos com lapelas e dupla abotoadura.  Fatos femininos ligeiramente oversize por cima de camisolas de gola alta.  Saias em tecidos pesados com aplicações de crepe para dar movimento contido às peças.  Camisolas de malha em ponto de lã grossa para aquecer no Inverno.   

Nuno Baltazar - 09.03.2013


A colecção de Nuno Baltazar encontra inspiração no filme “Orlando”  baseado na obra homónima de Virginia Wolf.  Uma viagem onírica através dos séculos, marcada pela identidade sexual que muda de homem para mulher de acordo com suas intenções, assimilando tendências de cada tempo. Uma figura andrógina que vive durante quatrocentos anos, entre 1600, durante o reinado de Elizabete I até ao século XX e que chega até aos nossos dias para desfilar sobre a passerelle de ModaLisboa. 

Os cabelos das modelos são compridos, partidos com um risco ao meio deslizando com fluidez sobre os ombros das modelos. Marcadas ondulações ao longo dos comprimentos para um look muito feminino que contrasta com a masculinidade dos cortes.  Cabelos brilhantes, polidos com spray de fixação para manter a forma intacta.  A nuca fica à mostra, um subtil ápice de sensualidade para a mulher idealizada por Nuno Baltazar.

As formas de algumas peças são marcadamente masculinas, com ombros fortes e quadrados.  Looks que fogem dos habituais vestidos de festa de Baltazar para entrar no mundo das “working women”, mulheres desafiantes com pastas de negócios e atitude de quem assume o mando.  Nuno Baltazar experimenta novos volumes e cores mantendo a identidade da marca.  Linhas cocoon e H, com grandes golas para reinterpretar detalhes de época.  Forte protagonismo do preto, caramelo e off white com presença de cores jóia como o fuschia e o esmeralda.  Saias com pregas femininas contrastam com calças de corte masculino.  Uma colecção que foge dos estereótipos para encontrar uma nova identidade.

Alexandra Moura - 09.03.2013


A colecção de Alexandra Moura pretende ser uma viagem às origens de uma nova espécie humana, uma nova raça que nasce e que começa tudo de novo.  Homens e mulheres de cavernas futuristas, que vestem linhas rectas, simples e tubulares.  Uma silhueta limpa com a simplicidade de uma forma geométrica, o “Quadrado” que dá o nome a esta Colecção.

Os cabelos das modelos apanhados no topo da cabeça em originais estruturas.  O cabelo é envolvido à volta de um cilindro de madeira que depois é fixado no topo da cabeça.  Disciplinado e polido com fixação de efeito molhado simula os apanhados que imaginamos para os homens das cavernas.  Os homens surgem com penteados com risco ao lado e o cabelo extra brilhante e disciplinado.

A roupa pretende enaltecer a simplicidade, as linhas rectas e minimalistas.  Mangas japonesas relembram as geishas e túnicas falsas de pele de crocodilo para uma reinterpretação futurista.  Cores terra, amarelo torrado, bege e castanho contrastam com camisas azuis e brancas.  Especial destaque à utilização de malha “vulcânica” que simula o efeito de lava fria.  Peças em algodão, mohair, veludo e neopreno em formas lineares.  A utilização do dourado nos acessórios responde ao facto de que “quase todo o ouro que a humanidade possui é de origem extraterrestre” segundo a revista Science.  Moura procura o homem primitivo de uma quarta dimensão que está por chegar.

Pedro Pedro - 09.03.2013


A colecção “The Proud Rebel” de Pedro Pedro é uma colecção de opostos, entre o masculino e o feminino; o formal e o casual; a opulência e o despojado para conseguir um resultado moderno e limpo.  Destaca-se a natureza táctil dos tecidos que traslada este conceito de opostos a uma nova dimensão numa única peça.  Uma colecção elegante, para uma mulher actual, excelentemente executada.

Os cabelos das manequins, penteados por Helena Vaz Pereira, Embaixadora L’Oréal Professionnel, estavam apanhado em rabos de cavalo baixo, muito minimalistas.  O cabelo, com risco ao lado e uma discreta franja sobre o rosto da modelo estava brilhante e disciplinado.. Visto de frente poderia ser um cabelo masculino, mais uma vez os opostos de Pedro Pedro.  O rabo de cavalo, muito simples, cai sobre as costas da modelo, com o cabelo liso e poli. 

A silhueta da colecção busca os contrastes entre o longo e curto e o largo e justo.  Sobreposições e construções de layers com aspecto cuidadosamente polido mas mantendo certo eclecticismo na mistura.  Linhas rectas, cortes clássicos para um minimalismo chic. Saias plissadas para dar movimento e casacos drapeados para conseguir um look andogino.  A paleta de cores inclui branco, cinza, preto, camel, brique e verde.  Os materiais, ou lisos ou muito texturados, são fundamentais para essa contraposição táctil que se pretende.

Os Burgueses - 09.03.2013


A dupla Os Burgueses propôs a encenação mais original destes dois dias de ModaLisboa, entregando lanternas aos assistentes na entrada para depois desligar as luzes e apresentar os primeiros visuais da sua colecção Blackout na escuridão.  A colecção de Os Burgueses parece estar mais centrada na geração posterior ao Blackout, uma tribo urbana apocalíptica e futurista.  Na escuridão três camisas brancas com impressões de imagens do famoso teste de Rorschach davam passo a uma colecção com ares futuristas.

Os cabelos da colecção estavam cuidadosamente despenteados para conseguir uma despreocupação muito estudada.  Para as mulheres, cabelos soltos, lisos com movimento ao longo dos comprimentos com pouca ou nenhuma fixação para obter um resultado natural.  Nos homens, riscos ao lado e franjas desalinhadas com pequena fixação para garantir que esse descontrolo se mantinha durante algum tempo.

A colecção é decididamente urbana, jovem e actual embora pecasse de excessiva comerciabilidade em detrimento da criatividade.  Leggings com aplicações douradas por baixo de camisas que vão até ao joelho.  Calças e casacos em pele preta e inúmeras reinterpretações do casaco biker. Aplicações de pele em camisolas e tops.  Casacos bomber ou rectos para os homens que também vestirão exclusivamente de preto na próxima estação.  Aplicações de franjas azul marinho para adornar as peças masculinas.  Uma colecção que longe de surpreender, deixou o público com a sensação de não ter visto nada novo.

Luís Buchinho - 09.03.2013


O primeiro desfile do dia correu a cargo de Luis Buchinho, numa passerelle improvisada por baixo dos arcos do Terreiro do Paço.  Uma colecção que se centra na afirmação da identidade feminina através de silhuetas fortes e afirmativas, e que tem como referência a Revolução de Abril de 1974.  Prints criados com metralhadoras simulando o padrão do xadrez escocês ou houndstooth e cravos vermelhos adornavam as peças do criador.  Influências do vestuário masculino com peças estruturadas, de ombros marcados e cortes rectos.  Uma nova mulher da Revolução vestida de prêt-à-porter.   

Os cabelos das modelos apareceram livres, caindo com fluidez sobre os ombros das modelos.   Textura ao longo dos comprimentos, criada através de chignons que foram desconstruídos nos instantes prévios ao desfile, para dar movimento ao cabelo.  Um visual natural para uma mulher que procura liberdade.

Construções geométricas em diagonais, com detalhes assimétricos e grafismos inspirados nos ícones da Revolução compõem uma colecção marcadamente urbana.  O conceito de resistência e força vê-se reforçado por materiais como pele, lãs feltradas, crepes e tweeds.  Peças que criam sobreposição de texturas e volumes para dar movimento e fluidez à roupa.  As grandes lapelas ganham protagonismo nos casacos, vestidos e coletes.  Delicadas saias com folhos por baixo de casacos com ombros marcadamente masculinos para criar uma interessante oposição de identidades.  A paleta cromática reduz-se a três cores: vermelho, branco e preto. 

Aleksandar Protic - 09.03.2013


A colecção de Aleksandar Protic centra-se em quatro conceitos: silêncio, tranquilidade, maturidade e religião.  Tudo isto traduz-se numa colecção sóbria e lineal que cai perigosamente no monótono.  Uma colecção que respira calma, com predominância do preto e silhuetas geométricas estruturadas.  Peças construídas com atenção ao detalhe em aplicações de pele e cortes estratégicos. 

Os cabelos das modelos, obra do hairstylist Anthony Millard, foram alisados com ajuda de placas e partidos por um risco ao meio.  Um colarinho de pele prendia os cabelos à altura do pescoço para criar uma ilusão de cabelo curto com movimento.  Cabelos brilhantes com pouca finalização para conseguir um resultado natural.

A linha dos ombros desaparece para dar redondez ao corpo da mulher acentuado por pinças.  Peças estruturadas com sobreposição de diferentes volumes.  Saias e vestidos por cima do joelho ajustados ao corpo.  Aplicações de pele em casacos e camisolas dão um certo luxo às peças.  A cor predominante é o preto com concessões ao branco e ao padrão vichy em castanho.

Say My Name - 09.03.2013



“Stratosphérique” é o nome da colecção de Saymyname para o Outono/Inverno 2013.  Uma colecção femininamente abstracta, iluminada pelo trabalho da artista Victorine Muller.  Cada peça é criada para transmitir ideias abstractas e forças invisíveis através de sobreposições de formas, tecidos, cores e texturas. 

Os cabelos das modelos estavam penteados para trás com efeito molhado.  Cabelo em madeixas bem definidas, trabalhadas com a mão para conseguir uma heterogeneidade natural.  Cabelos polidos e disciplinados graças à utilização de mousses de fixação.  Muita textura e movimento ao longo dos comprimentos.   

As saias e vestidos por baixo do joelho com pregas na frente para conferir tridimensionalidade à roupa.  Drapeados e sobreposições fluidas em tops e vestidos com toques desportivos.  Casacos e camisolas de dimensões dramáticas, estruturados num jogo de proporções e blocos de cor.  Calças rectas e skinny com fechos e pregas na cintura.  Tecidos desportivos e neopreno com transparências em pequenos detalhes que dão um toque diferente.  A escama de lagarto reinventada em cores brilhantes para conseguir uma silhueta futurista e mínimal.  A paleta cromática da colecção centra-se no preto, caramelo, ameixa, marinho, cinza e rosa.